quinta-feira, 22 de julho de 2021

Santa Maria Madalena, igual-aos-Apóstolos

Santa Maria Madalena, portadora de bálsamo (Myron), nasceu na cidade de Magdala às margem do lago de Genezaré, na parte norte da Terra Santa. Esta região pitoresca era abundante de frutas e peixes. Seus moradores distinguiam-se de outros palestinos pela sua independência, gênio ardente e coragem. Estas qualidades eram próprias também a Maria Madalena.

Desde a infância ela era possuída pelo demônio. Pelas circunstâncias, ou melhor, pela piedade de Deus, ela se encontrou com o Senhor Jesus Cristo, quando Ele pregando o Evangelho visitou aqueles lugares. O Senhor teve pena dela e expulsou sete demônios e com isso deu-lhe cura física e espiritual. Desde então Maria, agradecida, deixando tudo, tornou-se discípula de Cristo, servindo-Lhe junto com outras mulheres piedosas.

Quando da ocasião da prisão do Salvador e do julgamento de Pilatos, a fé dos discípulos ficou abalada e todos fugiram, entretanto, ela não deixou o Senhor, mas permaneceu ao pé da cruz juntamente com Sua Mãe Puríssima e Seu discípulo amado, o Apóstolo João. Ela acompanhou o Corpo do Senhor no jardim do bem-aventurado José de Arimatéia e ali ungiu-O com o precioso bálsamo e perfumes. Por isso ela recebeu o nome de portadora de bálsamo (mirófora). O sepultamento do Corpo do Salvador ocorreu às pressas, pois após algumas horas naquela sexta-feira à noite deveria começar a festa judaica da Páscoa.

No dia seguinte à Páscoa, no domingo cedo pela manhã, quando ainda a escuridão pairava sobre a terra, Maria foi a primeira que chegou ao sepulcro para concluir o processamento do sepultamento do Corpo do Salvador. A caminho do sepulcro ela pensava como iria afastar a pedra do sepulcro que era muito pesada. Mas quando ela chegou ali aconteceu que a pedra já estava afastada. Então Maria rapidamente voltou e contou a respeito disso aos apóstolos Pedro e João. Ultrapassando um ao outro, os apóstolos chegaram ao sepulcro. Não achando nada além das vestes mortais, os apóstolos voltaram atrás. Maria, entretanto, chegando depois dos apóstolos também entrou no sepulcro e começou a chorar. Aí ela viu dois anjos em forma de jovens de vestes brancas. Um deles perguntou-lhe: "Mulher por que estás chorando e a quem procuras?" No que Maria respondeu: "Levaram meu Senhor e não sei onde O puseram". Dito isto, ela virou-se e viu o próprio Jesus Cristo, mas não O reconheceu. Pensando que este era o jardineiro, ela Lhe disse: "Senhor! Se foste tu que O levaste, dize-me onde O puseste". O Senhor lhe disse: "Maria!" Ela reconheceu a voz conhecida e viu que este era o Salvador ressuscitado. No ímpeto de alegria ela caiu a Seus pés.

Neste mesmo dia Maria dignou-se novamente a ver o Salvador ressuscitado, quando ela pela terceira vez veio ao sepulcro já com outras mulheres portadores de bálsamo. Sobre estas aparições do Salvador, ela contou aos apóstolos, mas eles não acreditaram nela. Depois da Ascensão do Senhor, Maria junto com outros apóstolos, dignou-se das graças do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Ela, como testemunha da vida e dos milagres do Salvador, visitou muitos países com a pregação cristã.

Há o relato de que pregando em Roma, ela chegou ao palácio do imperador Tibério. Na audiência com o imperador ela lhe contou sobre o Senhor Jesus Cristo, sobre Seu ensinamento e Ressurreição dos mortos. O imperador duvidou do milagre da Ressurreição e pedia provas a Maria. Então ela pegou um ovo cozido que estava em cima da mesa e entregando-o ao imperador disse "Cristo Ressuscitou!". Durante estas palavras o ovo branco ficou nas mãos do imperador vermelho carmim. (Este acontecimento é maravilhosamente representado na parede leste do altar do luxuoso templo de Santa Maria Madalena, construído pelo imperador Alexandre III no jardim do Getsêmani em 1886. A santa está em pé vestindo sua humilde túnica apostólica em frente o imperador, cercado de guarda-costas. Em sua mão estendida, o ovo vermelho). No dia de sua memória no jardim de Getsêmani, após a Liturgia, aos fiéis ofereciam ovos vermelhos de páscoa dizendo "Cristo Ressuscitou!".

Depois de Roma, Maria Madalena dirigiu-se para Éfeso e aí ajudava na pregação do apóstolo João, o Teólogo (da Palavra de Deus). As circunstâncias da sua morte são desconhecidas. Nos tempos do imperador Leão (886-912) seus restos mortais intactos foram transladados para Constantinopla. Durante as cruzadas eles foram levados para Roma. O Papa Honório II (1216-1227) sepultou-os sob o altar de São João em Latrão (este é um dos templos mais antigos de Roma).


Tropário - Tom I:

A respeitável Maria Madalena seguiu a Cristo,
O qual por nossa causa nasceu da Virgem,
mantendo Seus preceitos e leis.
Por isso, comemorando hoje a sua santíssima memória,
através de suas súplicas recebemos a remissão dos pecados.

Kontáquio – Tom III:

Permanecendo diante da Cruz do Salvador com muitos outros
sofrendo com a Mãe do Senhor e derramando lágrimas
a toda gloriosa fez essa oferta como louvor, dizendo: 
"O que é essa estranha maravilha? É Tua vontade de sofrer,
Ó Tu, que sustentas toda a criação? Glória ao Teu domínio!".

quarta-feira, 21 de julho de 2021

21/07 - SANTOS SIMEÃO, O "LOUCO POR CRISTO", E JOÃO

Os Monges Simeão, Louco de Cristo e João, seu companheiro de ascetismo, eram sírios e amigos de infância que viveram em Edessa no Séc. VI. Simeão, o mais velho dos dois, permaneceu solteiro e morava com sua idosa mãe, ao passo que João, casou-se, mas após a morte de sua mãe, ele e sua esposa passaram a morar com seu pai viúvo.
Quando Simeão tinha 30 anos e João 24, peregrinaram para Jerusalém com o propósito de participar da Festa da Exaltação da Santa e Vivificante Cruz do Senhor. No caminho de volta para casa, os amigos conversavam sobre o caminho para a salvação da alma. Tão empolgante estava o diálogo, que eles desceram dos seus cavalos, e enviaram os servos a frente com os cavalos, enquanto eles seguiam a viagem a pé.

Passando através Jordan, vendo os mosteiros que estavam na periferia do deserto, ambos foram tomados por um desejo irreprimível de deixarem o mundo e dedicarem o resto de suas vidas à utilidade das lutas monásticas. Eles deixaram a estrada que os levava para a Síria, e fervorosamente oraram a Deus para que lhes indicasse qual mosteiro eles deveriam escolher. Então decidiram que entrariam no primeiro mosteiro que estivesse com seus portões abertos. Neste momento o Senhor informava ao Igúmeno Nikon , em um sonho, para abrir os portões do mosteiro, de modo que o ovelhas de Cristo pudessem entrar.

Com grande alegria os dois amigos atravessaram os portões abertos do mosteiro, onde foram calorosamente recebidos pelo Igúmeno, do qual logo em breve obtiveram a tonsura monástica.

Depois de permanecerem no mosteiro para um certo tempo, Simeão, desejando intensificar seus esforços, decidiu ir para o deserto para praticar o ascetismo em completa solidão. João, não desejando ser deixado para trás por seu amigo, decidiu também compartilhar com ele os esforços da vida solitária no deserto. O Senhor revelou as intenções dos amigos para Igúmeno Nikon, e naquela noite, quando os santos Simeão e João se preparavam para em secreto deixar o mosteiro, Nikos os surpreendeu, abrindo ele próprio, os portões para eles, e orando, deu-lhes a sua bênção e os enviou para o deserto.

Assim que começaram a sua a vida em no deserto, os irmãos espirituais logo experimentaram, pela primeira vez as fortes as fortes investidas do diabo. Eles foram assaltados longamente por sentimentos de culpa por haver abandonando as suas famílias, e os demônios, tentando desencorajar a os ascetas, os subjugava com fraqueza corporal e a ociosidade. Os irmãos Simeão e João lembram-se de sua vocação monástica, e confiando nas orações do seu Padre Nikon, continuaram firmes no caminho escolhido, dedicando todo o tempo à oração incessante e rigoroso jejum, encorajando um ao outro em sua luta contra a tentação. Depois de um tempo, com a ajuda de Deus, as tentações cessaram.

Os monges foram informados por Deus que a mãe de Simeão e a esposa de João tinham morrido, e de que o Senhor as tinha concedido as bênçãos do Paraíso. Após isto, Simeão e João viveram no deserto vinte e nove anos, e alcançaram em suas almas o estado de desapego completo (apathia) e um alto grau de espiritualidade. São Simeão, por uma inspiração de Deus, considerou que chegara o momento apropriado para ele servir as pessoas. Assim, deixando a solidão do deserto, voltou para a cidade. São João, no entanto, acreditando que ainda não tinha atingido o grau suficiente de desapego como seu amigo, decidiu não deixar o deserto.

Os irmãos se separaram com lágrimas. Simeão viajara para Jerusalém, e lá venerou o Túmulo do Senhor e todos os lugares santos. Por sua grande humildade, o santo asceta pediu ao Senhor para permitir-lhe servir o seu vizinho de uma maneira tal que eles não o viessem a admirá-lo. São Simeão escolheu para si a difícil tarefa de se tornar louco para Cristo. Tendo ido para a cidade de Emesa, lá se estabeleceu passando a apar6encia de uma pessoa simplória, comportando-se estranhamente, e por isto foi submetido a insultos, abusos e espancamentos. No entanto, concomitantemente, ele praticava muitas boas ações: Expulsava os demônios, curava os doentes, confortava os que estavam prestes a morrer e trouxe muitos descrentes para a fé e os pecadores ao arrependimento.

Todos os estas coisas que ele praticava sob o disfarce da loucura, e assim nunca recebia elogios ou agradecimentos das pessoas. São Simeão, no entanto, era altamente estimado por seu irmão espiritual. Quando um dos os habitantes da cidade de Emesa visitava a João no deserto, em busca de conselho e orações, ele i, invariavelmente, o encaminhava para Simeão "o louco", dizendo que era mais capaz do que ele para oferecer-lhe conselho espiritual.

Durante três dias antes de sua morte São Simeão deixou de ir para as ruas, e se delimitava a ficar em sua cabana, onde nada havia, exceto feixes de lenha. Tendo permanecido em oração incessante por três dias, adormeceu no Senhor. Alguns dos pobres da cidade, seus companheiros, não tendo visto o louco por algum tempo, foram até sua cabana e o encontraram morto.

Tomando o seu corpo morto, eles o transportaram em silêncio, sem entoar os tradicionais cânticos fúnebres entoados pela Igreja, e o sepultaram num lugar onde os sem-teto e estrangeiros eram enterrados. Contudo, enquanto eles carregaram o corpo de São Simeão, vários dos os habitantes ouviam o cântico de hinos belíssimos, mas não conseguiam identificar de onde vinham.

Depois que São Simeão morreu, São João também adormeceu no Senhor. Pouco antes de sua morte, São Simeão teve uma visão de seu irmão espiritual vestindo uma coroa sobre a sua cabeça com a inscrição: "Pela resistência no deserto."

Tropárion - Modo1

Tendo ouvido a voz de do Apóstolo Paulo: Somos tolos por amor de Cristo!
Simeão, para a glória de Cristo Deus, a Quem servia,
Viveu, aqui na terra a vida de um louco.
Portanto, nós que veneramos tua memória, te suplicamos:
Roga ao Senhor que salve as nossas almas!

Kondákion - Modo 2

Louvemos com ardente amor este homem que viveu na carne como um anjo,
Adornando a sua alma com as virtudes mais resplandecentes,
a Simeão, o igual aos Apóstolos e Portador de Deus.
Honremos juntamente a João, seu amigo,
Pois tanto um como o outro,
estão diante de Deus, intercedendo por todos nós!

quinta-feira, 15 de julho de 2021

☦ SYNAXIS ☦

Synaxis, reunião de adoração, assembléia!

Este blog pretende contribuir para que a Tradição das Igrejas Orientais Católicas (sobretudo de rito bizantino) cheguem a mais pessoas.

Synaxis. Formar assembléia, não na tentativa de trazer fiéis para as nossas comunidades no Brasil (claro que ficaremos felizes e louvado seja o Senhor, caso nossos irmãos separados retornem à Casa!), mas no sentido de contribuir para que nossos irmãos da Tradição Latina saibam que a Igreja Católica é diversa, verdadeira unidade na pluralidade, e que embora tenhamos diferentes formas de expressar a nossa fé no Oriente e no Ocidente, nós orientais também somos Igreja Católica, professamos a mesma fé, estamos plenamente unidos ao Papa de Roma e a ele também somos obedientes.

Synaxis, assembléia dos eleitos! Ser Igreja, reconhecendo a Igreja como o Corpo Místico de Cristo que "respira com dois pulmões" (São João Paulo II - Ut Unum Sint): o do Oriente e o do Ocidente.

Papa Francisco reunido com os Patriarcas  Orientais Católicos
Ser Igreja, Oriente e Ocidente, peregrinando juntos nesta terra, louvando e bendizendo ao Senhor, reunidos em nome de Cristo. Porque professamos a mesma fé na Igreja Una, Santa Católica e Apostólica (cf. Creio Niceno-Constantinopolitano) e esperamos um dia estarmos também unidos no reino celeste.

Reforçando nossa união ao Papa de Roma, com este blog cumpro o pedido manifestado pelo Papa São João Paulo II:

Visto que, de fato, acreditamos que a veneranda e antiga tradição das Igrejas Orientais é parte integrante do patrimônio da Igreja de Cristo, a primeira necessidade para os católicos é conhecê-la para se poderem nutrir dela e, na maneira possível a cada um, favorecer o processo da unidade. Os nossos irmãos orientais católicos têm viva consciência de que são os portadores, juntamente com os irmãos ortodoxos, desta tradição. É necessário que também os filhos da Igreja Católica de tradição latina possam conhecer em plenitude este tesouro e sentir assim, juntamente com o Papa, a paixão por que seja restituída à Igreja e ao mundo a manifestação plena da catolicidade da Igreja, que não se exprime apenas por uma única tradição, nem tampouco por uma comunidade contra a outra; e para que também a todos nós seja concedido saborear plenamente aquele patrimônio divinamente revelado e indiviso da Igreja universal, que se conserva e cresce na vida tanto das Igrejas do Oriente como das do Ocidente. (Carta Apostólica Orientale Lumen, nº 1)

Desse modo, invocamos a intercessão de nossa Mãe, a Santíssima Theotókos, e de nossos Santos Padres em nossa missão:

Glória a Vós, ó Senhor, Deus nosso, glória a Vós.

Senhor, tende piedade.

Senhor, tende piedade.

Senhor, tende piedade.

Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, pelas orações de vossa Mãe Santíssima e todos os Santos, tende piedade de nós. Amém.

Rei Celeste, Consolador, Espírito da Verdade, presente em toda parte e ocupando todo lugar. Tesouro dos bens e dispensador da Vida, vinde e habitai em nós, purificai-nos de toda mancha e salvai, nossas almas, Vós que sois bom.

☦ Santo Deus, Santo Poderoso, Santo Imortal, tende piedade de nós.

☦ Santo Deus, Santo Poderoso, Santo Imortal, tende piedade de nós.

☦ Santo Deus, Santo Poderoso, Santo Imortal, tende piedade de nós.

☦ Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

☦ Santíssima Trindade, tende piedade de nós; Senhor, purificai-nos de nossos pecados; Soberano, perdoai as nossas faltas; Santo vinde e curai as nossas enfermidades, pela gloria do vosso Nome.

Senhor, tende piedade.

Senhor, tende piedade.

Senhor, tende piedade.

☦ Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje e perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

Porque vosso é o Reino, o poder e a glória, Pai, Filho e Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.